29.7.11

"o amor é um lugar estranho"

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Ao escapulires-me dos dedos, senti-me obrigada a erguer barreiras à minha volta, encostando-me a um canto só meu, coberto de sonhos e repleto de fantasias. Esse canto encontra-se inundo de memórias ilícitas e talvez erradas, mas extremamente saborosas. Experimentei o sabor de um primeiro abraço teu, um toque leve e discreto, de uma primeira palavra amiga, em tom de elogio honesto. Reuni esforços para manipular os meus próprios sentimentos, tentei moldá-los, modificá-los, arruiná-los. Foram tentativas em vão, levadas pelos ventos fortes e fundos do ódio, da culpa e do ressentimento. Insisti em remar contra as marés, em batalhar contra esses odiosos ventos, e a ânsia apoderou-se com o triplo da força no meu peito. A ânsia de mais palavras vindas de ti. Acomodei-me à tua companhia, sem nunca a recusar, conformei-me, simplesmente. Alojei-me nos teus braços distantes e, ao mesmo tempo, reconfortantes. Habituei-me ao olhar baço e maduro que me diriges, enquanto me contas com rigor as tuas histórias infelizes, encardidas, já acabadas. Adaptei-me a esse olhar, viciei-me nele, e agora vejo através dele. Esses olhos bloquearam todas as entradas e saídas que, geralmente, eu controlo. Agarraste-me, dominaste-me. Prendeste-me à tua fala, capturaste-me a fim de me enraizar junto a ti. A minha segurança depende da tua presença, que me retira o espaço, o ar, e a noção do tempo. 
Para onde foram a cortesia, o constrangimento e a misericórdia? Sinto pena de mim própria, e é uma pena que me repugna ao máximo. "Beneficio" agora de uma liberdade condicionada, já esgotada pelos limites da tua existência.

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