30.12.11

c'est fini

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O desejo, mesmo que nos surpreenda num dia comum e se apodere de nós como uma flecha, também acaba sem o esperarmos. E nós, minha velha vida, estamos acabados há muito tempo. Tempo... o tempo tornou-se incerto assim que escolhemos ignorá-lo, mas sabes? Ele passou por nós e nós nem demos pelo barulho dos ponteiros. 
E as noites passaram também. E nas noites fui fraca. Estava sozinha e com os olhos tapados por panos pretos. E tudo parecia igual, nenhuma sombra se distinguia. Por isso escolhi a tua. Escolhi-te a ti e apoderei-me do teu hábil corpo para me aconchegar do frio e das crueldades da vida. Mas o sempre sempre acaba, esqueceste-te de me avisar disso quando me (nos) prometeste a eternidade. E, não para teu bel-prazer, o meu Sol voltou. E alguém voltou com ele para me mostrar que ainda vale a pena sorrir. E por que hei-de trocar uma vida brilhante e sorridente, por sorrisos que provêm de meras palavras que proferes com jeito de escritor? Palavras, leva-as o vento - e tantas vezes te disse que esse era o meu lema.
Deixei-me influenciar por elas, fiámo-nos nelas e, olha... estragámo-nos, meu velho bem. Murchámos. Morremos. E as nossas folhas, as únicas cúmplices e testemunhas do "nós" que outrora existiu, que pisámos e pisámos enquanto caminhávamos pelo único atalho escondido e esquecido pelo resto do Mundo - um atalho pequeno e obscuro como nós - secaram e espalharam-se pelo chão. Aparentemente tristes, desarrumadas e esquecidas. Estão confundíveis com as flores que perderam a cor. 

Toda a Natureza perdeu o brilho. Todos os nossos olhares perderam o brilho. 
Fomos à guerra e demos luta, mas perdemos tudo. 
Ou será que nunca tivemos nada

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