3.11.11

vou deixar o maior dos sonhos voar

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Talvez hoje fôssemos mais felizes, se tivéssemos feito outras opções nas nossas distintas vidas. Talvez hoje conhecêssemos diferentes e mais profundas formas de felicidade, em vez de conhecermos tão bem todos os cantos e todos os subúrbios da dor. Talvez hoje as nossas vidas fossem diferentes e talvez se tivessem encontrado, talvez começassem a andar lado a lado na rua. Talvez os olhares agora não tivessem nem uma pitada de rancor, se tivéssemos seguido o destino e sido fiéis aos nossos corações. Talvez hoje estivéssemos a caminhar juntos numa estrada com um único rumo ou sentido. Talvez estivéssemos a fugir, deixando para trás tudo o que tinha sido nosso até então, como sempre havíamos sonhado. Talvez. Mas como de nada adianta debruçarmo-nos sobre aquilo que poderíamos ter feito, confesso-te que, apesar de mal nos conseguirmos olhar sem nos desmancharmos (seja de que maneira for) e apesar de saber que são os toques que te dizem muito, és quem melhor me conhece e, isso, mais ninguém irá mudar. Conheces os caminhos que faço todos os dias, os livros que leio, as músicas que ouço (pelas quais partilhamos o mesmo gosto), as paixões da minha vida, as pessoas que me inspiram desde sempre, os meus medos, os tormentos que já passei, os meus grandes sonhos, a minha forma de decorar o quarto, as minhas manias mais parvas, o meu fraquinho pela moda, os meus piores e os melhores vícios, a minha loucura pela literatura, a minha teimosia e o meu mau feitio, a minha necessidade de escrever, todos os dias, as cidades que mais gosto, até mesmo os cereais que como ao pequeno-almoço (...) Mas, acima de tudo, mais importante do que saberes aquilo que sou e quais são as coisas que de mim fazem parte, mais importante do que tudo, é partilharmos o maior sonho deles todos. O maior de todos os sonhos. É termos partilhado todas estas coisas acerca um do outro - sim, já sabes que, quanto a nós, a minha memória grava tudo ao mais ínfimo detalhe - com a maior naturalidade, com o maior sorriso nos lábios e com a maior descontracção. Não preciso de te dizer muito, olhos nos olhos, para que saibas o que sinto e o que sentirei sempre em relação a ti, a nós, a esta história que criámos nos ares envolvidos em sonhos, miragens e expectativas. Um dia será a nossa vez de a vivermos, sem censuras. Um dia poderemos pensar apenas em nós (os dois) e deixar para trás tudo aquilo que não nos disser mais nada, apoderando-nos um do outro, concentrando-nos um no outro, desejando-nos um ao outro. Contrariando as vontades de outrém, as regras da sociedade de hoje em dia, e até os pensamentos mais correctos. 
Nem tudo estará perdido. Por isso, deixo o maior dos sonhos voar, para que um dia volte até nós.



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