24.12.11

relembra-me; relembra-nos

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Acho o meu quarto vazio e, ao mesmo tempo tão cheio de coisas supérfluas, sabes? E conto-te isto a ti, porque é de ti que ele está vazio. Preciso de te ter espalhado pelas paredes e pelas mesinhas e pelas caixas, para me relembrar de que és a única força que me resta. E passei mal a noite, sabes? Mas assim que nos pus numa moldura e a encostei a um canto, os meus olhos deixaram de resistir ao sono e o corpo acomodou-se à noite já há tantas horas visível. Preciso de me declarar a ti, para minar o impulso de um dia me ir embora sem te confessar o que sinto. E assim, repito-te baixinho as mesmas palavras de amor a cada noite, para que, num amanhã mais ou menos distante, possas relembrar-me através delas... e da nossa fotografia posta a um qualquer canto do meu/teu quarto.

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