28.2.12

quando cai a noite e as lágrimas imperam

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Confesso que quando as luzes da cidade se apagam e cai a noite, cai até mesmo o silêncio que se instala no meu quarto, nem as palavras do meu velho diário ou do meu novo romance que está na escrivaninha importam. E no meu pequenino e delicioso mundo, palavras geralmente são tudo.
 Os meus olhos deixam de ver o mundo de mil cores e deixo de saber pintar com a escrita, brincar com as palavras e com o mais dócil dos amores. Cai também a saudade, a dor de alguém que partiu, a violência das cicatrizes marcadas pelo corpo abaixo, a memória do esquecimento de outrém, os complexos, os rasgões. Caem também as lágrimas, impulsivamente, e só penso em ti... em como me completas ao amares-me desse modo tão puro e tão, tão, tão presente. E, sinceramente,  enquanto caem as ditas lágrimas corrompidas pela funda tristeza, no meu coração reina uma certeza. A certeza do nosso amor. E eu olho para o futuro, que virá bem mais depressa do que imaginamos. Em como será se um dia tudo isto que alcançámos se perder no vazio. Em como será se não tiver o teu beijo de bom dia depois de uma noite de pesadelos, ou umas palavras de carinho inesperadas a interromper o silêncio, ou um abraço forte no instante certo, ou um ombro amigo enquanto impera o desespero, ou um passeio de mãos dadas por um qualquer lugar. Qualquer uma das simples coisas que me deste e me dás o prazer de viver, dia após dia, do teu lado. Confesso que, em noites como esta, eu tenho medo. Tenho medo da nossa ruptura e de abrir a porta de casa depois de um dia especialmente duro e encontrar um cenário confuso e traumatizante. E de ter de ultrapassar as adversidades da vida sem o teu consolo, sem o teu apoio, sem os teus beijos, sem o teu toque frio no meu corpo, sem as tuas cócegas... oh amor, sem o teu sorriso contagiante e os teu olhar brilhante. E oh amor, sem a lembrança da primeira troca de sorrisos ou de olhares, sem a lembrança do primeiro de infinitos beijos. Porque a pior dor, é a do esquecimento. Esse perdura.
Até sempre.

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