27.9.11

the sweet escape

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Já não me dominas, cativas ou fascinas. Já não me prendes, surpreendes ou reaprendes. Já não me entendes, compreendes ou repreendes. Já não instruis o saber, porque já não o possuis. Já nem sequer o procuras. Deixaste de o ser e de o saber. Deixaste de querer e de poder. Deixaste de conhecer. Deixaste a sabedoria e o conhecimento fugirem-te por entre os dedos. Escapei-te. Já não constróis fossas ou rasteiras nas quais eu temo em cair. Já não me entrego. Já não me cinjo aos sonhos que perduram ou às memórias que insistem em não se apagar. Já não me isolo, distancio ou deprimo. Já não existe, para mim, o abismo da tua ausência. Agora, existem apenas diários. Leves ou intensos. Cantinhos onde letras se juntam e formam beldades. Marés de palavras bem conjugadas, que constituem prosas tão profundas e nostálgicas. Já não consentes, e eu já não sinto. Já não existes. Partiste, e conjuntamente com a tua vida partiu a minha alegria pela mesma. Pelas nossas vidas conjuntas. Partiu o brilho e a esperança – partiu metade de mim. Ficou apenas a lembrança – os teus braços enrolados na minha cintura, a minha cabeça encostada no teu peito e um beijo quente compostos num cenário de uma natureza pura. Foi-se a nossa vida a dois e ficou apenas a língua materna. As palavras – dizem que as leva o vento, não é verdade? Olha que não sei… Já só elas me restam. Já não me aconchegas ou motivas a coisa nenhuma. Já não existes como um ser completamente diferente. Arrancaste as cordas que te prendiam a mim e rasgaste as roupas que outrora me tinhas dado. Acobardaste-te e eu desleixei-me. Sinto-me nua, desprevenida e desprotegida do Mundo lá fora. Mas sabes que mais? Já foste! Agora concentra-te em não voltar.

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