18.10.11

a dor alimenta a esperança

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Acabada de acordar, acendo o primeiro cigarro da manhã, acompanhado do café mais-que-necessário para despertar, debruçada sobre o parapeito da janela. Avisto a serra, lá bem no fundo da paisagem, coberta de nuvens e de névoa, e observo também a beleza do nascer-do-sol. O dia parece nascer frio, seco, enevoado. E o fumo só acentua essa ideia que tenho do mesmo. O fumo, azul acinzentado, mistura-se com os ventos da manhã, e já nada está nítido, a meu ver. Tudo se desfoca, as horas confundem-se e os pensamentos perdem-se, sendo substituídos por um vazio escuro. Também acinzentado. Também ele enevoado. Levanto-me, de repente, e vou ver-me ao espelho, na esperança de encontrar o meu reflexo focado, brilhante e colorido. Mas decepciono-me. Tanto. Já não me reconheço. A alegria dos meus dias foi desaparecendo, ao longo do tempo. Talvez por ti. Talvez por ele. Talvez por todos eles, por todos vocês. Talvez pelas mudanças de rotina. Talvez pelas mudanças de vida. Deixei de ser a rapariga que aspira genica, que corre pelos cantos das salas para espicaçar almas mortas, que anda aos saltinhos a espalhar boas energias. Espalhei-as tanto e por diversos lugares, que a mim me fugiram. Não sei que novas rotinas ou mudanças adopte, para me voltar a sentir a mesma dos antigos dias. Desses dias que me parecem já tão distantes. Desse passado que agora aparenta ser tão longínquo. Talvez eu não possa fazer nada para trazer tudo de volta. Talvez só possa esperar, aqui, debruçada sobre esta janela, todas as manhãs. Criando um ritual, embora seja doloroso. Esperando por ti, por ele, por eles e por vocês. Um de vós, velhos rostos, não tardará em aparecer, espero. Espero e esperarei.


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