11.12.11

o coração também se engana

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Às vezes, ao deitar, depois de fechar o meu livro e de colocar a minha caneca ainda quente na mesinha de cabeceira, lembro-me de que costumavas adormecer a meu lado nas noites mais frias. Vem-me à cabeça mais uma das tantas memórias que me deixaste, para me abrirem a ferida que tanto custou a fechar. E é através delas, que vêm de súbito e desaparecem no momento a seguir, fugindo de mim, que me apercebo de que há tão pouco de que me lembro. Vêm os flashbacks de quando a quando... mas de resto, parece-me tudo tão vazio. Não me lembro de quem eu era a teu lado - talvez porque não me imagine a passar tanto tempo com pessoa assim. Não me lembro de nós, mas lembro-me de que eras feliz. E lembro-me de que o era também, apesar de viver aterrorizada pelos pesadelos e pelo teu passado. 
Lembro-me de pouco, portanto. Sei quais as coisas que me deste porque ainda as guardo. Sei quais foram as tuas promessas... porque quando não são cumpridas, se tornam em algo que nunca morre dentro de nós. Como a esperança. Eu não queria tê-la, mas é assim a vida sabes? Eu não queria esperar que um dia voltássemos a ser tudo aquilo que fomos quando ainda não era o tempo de o sermos. Eu não queria depender tanto de ti sem sequer te possuir. E eu não queria que o meu coração sentisse que precisamos de viver tudo de novo, agora num tempo certo. Mas sabes qual é a minha verdadeira esperança? Que o meu coração também se engane. E algum dia saberei se assim é? Se amadureceste, ou se continuas apaixonado pelo Mundo, mas irremediavelmente sozinho? 

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