16.1.12

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Do dia para a noite, a condizer com as luzes, tudo se altera. Num dia temos tudo e no outro tudo se resume a um mero nada. As pessoas partem, os espaços deixam de ser "lares" e o ambiente arrefece, mas o medo? As memórias? As fotografias, por mais antigas que sejam? As palavras? Ficam. Ficam e assombram-nos nesse resto de dias em que só o vazio nos preenche. E digo que o vazio preenche, porque o amor é tão vazio e, ao mesmo tempo, completa-nos tanto. E assim, vazios, desprezados, esquecidos, sentimo-nos obrigados a erguer muros sob nós próprios para nos protegermos das agressões, das desilusões e da maior das vertigens: o amor. Sentimos o nosso coração fechar-se num gesto repentino e bizarro, soando como uma a porta a bater com o vento. E os olhos perdem o brilho outrora radiante e ganham uma tonalidade negra e doentia; as lágrimas encarregam-se de trazer o mais fundo desespero ao nosso olhar. E quanto mais lutamos contra as barreiras, mais furiosamente o buraco negro nos atrai e nos leva para a escuridão. A pouco e pouco, escorregamos. A pouco e pouco, caímos. Damos luta, resistimos. Mas a pouco e pouco, deixamo-nos derrotar. Chegamos ao nosso limite; desistimos. Rendemo-nos. Perdemo-nos, confundidos, por entre a luz e a ausência de luz. Por vezes o ser humano tem que se render à dor. Porque "faz parte". Porque nos "faz crescer". Porque nos faz saborear a felicidade "de outra forma"... e a vida, oh, e a vida.
E quando a escuridão se torna total? Quando caímos tão fundo que não vemos nem um resto de luz? Percebemos que clichés e verdades absolutas não fazem o menor sentido.

Talvez nem existam. Talvez a dor não exista e sejamos nós próprios a deixar-nos destruir - por muito pouco, por muito, por quase nada, por tudo. 

E o amor, nalgum dia, nalgum tempo, nalguma vida existiu?

1 comentário:

  1. estou como tu... mas não consigo escrever o que tão bem expressaste. gostei da musiquinha... não te conheço, mas deixo um abraço bem apertado. *

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