21.2.12

sonhos em cinzas

O teu olhar cruzado com o meu é como fogo que consome tudo à sua volta. E olhares são tudo aquilo que nos resta - tanto que sobra dos olhares profundos, disfarçados, genuínos, e tão pouco dos olhares tristes, raivosos, censurados. 
Lágrimas, mágoa, falta. Ausência de palavras. Eu e tu somos agora pouco mais do que isso. Somos como silêncio despercebido num cenário escuro e desprovido de magia. Somos sonhos que o vento levou sem pedir permissão. Sonhos íntimos de toques pelos vértices dos corpos e de calor num final de tarde de Inverno. Sonhos de lábios colados num tempo sem fim e de alianças eternas nos dedos de ambos. Fomos um sonho que se perdeu e que agora nos persegue, a toda a hora, minuto, segundo. E o fogo agora queima as memórias, que se transformam em cinzas. Somos somente sonhos que passaram a meras cinzas.

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