6.6.11

history repeats itself

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Dizes que chorar te custa, que te dói, que te altera, que te invalida... e eu digo-te que ao suprimir as minhas lágrimas, não conseguindo deixá-las percorrer as linhas da face, estou a morrer por dentro, a cada milésima de segundo um pouco mais. Digo-te que dói querer traçar um destino e um caminho com alguém, como se os mesmos fossem os nossos canteiros… sempre com cuidado, regando e olhando para todos as plantas. Digo-te que dói zelar por ti e por mim, pondo-te no topo da pirâmide da minha vida, esquecendo tudo o resto, mesmo que esse “tudo” também se mexa e crie bichinhos dentro de mim. Digo-te que dói cuidar de um amor como se cuidássemos da nossa própria vida, sustendo os pesadelos e os fantasmas do passado. Digo-te que dói ultrapassar mais uma barreira, dia após dia. Digo-te que dói brincar com o nosso próprio coração, entregando-o inteiramente a quem diz que nos quer bem. E dói porque o futuro é, seja com quem for, uma incógnita e nos surpreende. Digo-te que dói porque semeamos o amor, tratamos dele e das suas feridas para que floresça, e um dia ele próprio desvanece-se sem nós darmos conta... e pior que isso, sem podermos fazer nada para que ele volte a crescer. Digo-te que dói porque o sentimento de culpa por não nos termos preparado mais para aquela perda, também dói. Digo-te que dói porque quando algo assim acontece, sentimos que metade de nós se foi, eternamente. Digo-te que dói fazer promessas e sonhar com um paraíso de duas só pessoas transformadas numa única, sabendo que essas promessas um dia se vão quebrar e que o paraíso deixará de ser claro e brilhante. Digo-te que dói porque aquilo que mais quero é cruzar o meu Mundo com o teu, é fazer essas tais promessas, cumprindo-as, e levar-te a esse tal paraíso. Digo-te que dói com veemência, com tristeza, com tormento e, essencialmente, carregada de mágoas guardadas... digo-te que dói, mesmo sabendo que "palavras, leva-as o vento". Digo-te que dói, não com o propósito de minar a tua dor, nem com intenção de desvalorizar as tuas lágrimas. Digo-te que dói para que saibas e que acredites que a secura no meu rosto e no meu olhar não significa ausência de dor. Existirá vacina ou cura alguma para esta dor?

...Será?

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