28.6.11

silence#2

Reacções: 
Isolo-me num canto de uma rua de um bairro escuro e sombrio, escondido dos brilhos primaveris, e conto para mim mesma histórias de terror e horror passadas. Guardo a profundidade das histórias e das ausências, escondo, encho, junto para mim e não partilho. Cinjo-me ao silêncio que me assola e me assombra, engulo as palavras que não tenho coragem de proferir, resigno-me ao silêncio que me mata, me corrói e me destrói. Empurro para dentro, mais uma vez, a palavra "saudade" que não sou capaz de te soletrar. Cinjo-me ao silêncio que me inferniza, me aterroriza compulsivamente e me retira o sentir e os sentidos. O silêncio que me retira o prazer da espera e a mágoa da esperança. O silêncio que me pesa nos ombros e no corpo desmazelado. O silêncio que mergulha no meu subconsciente. O silêncio que enforca a minha mente. O silêncio que me impede de contar, de falar e de declamar. O silêncio que me arrasta nos sonhos e me alimenta nos dias de extrema solidão. O silêncio que deambula nos meus pensamentos e ilumina o meu reflexo no espelho. O silêncio que gasta os meus dias, já tão monótonos. Tu, silêncio... és a dor visível nos meus olhos tristes, desolados e inexpressivos. És o arrependimento de não ter expressado, a ténue e assustadora ideia de ter deixado o tempo passar antes que fosse o tempo certo, o receio de vir a expressar. És a experiência de um passado que não valeu a pena, o medo de um futuro sem autenticidade. És a corda que me aperta a garganta e forma nós desenlaçáveis. És a linha de ponto cruz que me cerra os lábios. És o acessório e o desejo que não possuo, que tu, horrendo silêncio, me roubaste. És a dor que perdura nos meus olhos, depois destes derramarem o sangue amargo da derrota. És a pena que um alguém sente e a compaixão que esse alguém demonstra. És a arte perfeita de quem tem o dom da palavra, mas a sabe esconder. A ansiedade de querer fazer explodir as lágrimas desgostosas que teimam em ficar do lado de dentro.

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