1.7.11

today

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Hoje, talvez pela primeira vez, viste o meu lado mais fraco, mais vulnerável, mais sensível e complexado, viste-me de cabeça baixa. Hoje, senti-me cada vez menos tua. Antes disso, antes de hoje, pensava que, em todos os instantes, nós seríamos um do outro. Achava que, nunca me iria sentir "à parte", estando contigo. No entanto, hoje senti que entrei no teu mundo, mas sem ser pela porta principal, senti que derrubei essa mesma porta, que assaltei esse momento, ao qual não fui bem-vinda. Senti que não fazia parte desse mundo e, talvez nem faça. Talvez tudo aquilo em que eu e tu acreditamos ser verdadeiro, real e eterno, não passe mesmo de uma mera paixão. Talvez, no fim, tudo acabe como acabou, para mim, anteriormente, em todas as histórias de suposto amor. Se calhar, não pertencemos ao mesmo mundo e os nossos corações estão, ainda assim, ligados. E porquê? Por que é que nos apaixonamos por alguém, nos agarramos como autênticas lapas a uma pessoa, lhes contamos tudo, damos o que temos e o que não temos somente para a vermos feliz, se um dia tudo acaba, tudo se desmorona? Hoje, pertenci apenas a mim própria e deambulei nos meus pensamentos mais obscuros e temerosos. Temi que aquele abraço, aquele aconchego, aquele toque dos teus dedos nos meus ombros, suave e inesperado, fosse o último. Temi que nunca mais fosses meu. Pior do que isso, temi que nunca mais voltasse a sentir que só a mim me pertencias. Instalei-me num silêncio profundo, e acomodei-me, como se essa ausência de palavras fosse o meu mais legítimo lar. Encostei-me aos espaços em branco que, normalmente, se encontram entre duas palavras... espaços esses que tu preenches sempre, vazios que te encarregas de completar e que, desta vez, hoje, não são espaços, mas sim faltas de palavras. Senti falta dessas palavras que, em dias comuns, me pronuncias sem jeito e a todo o momento. Dessas palavras que eu sinto, dessa voz que me aquece o peito, dessas juras e promessas das quais me aproveito, e que me emocionam. E agora, depois de muito reflectir, já com certezas que te pertenço e vice-versa, peço-te: abraça-me, ignorando o facto de "saberes" que um dia chegará o fim, beija-me como se o dia de amanhã não existisse e cumpre com rigor nessas juras e promessas que eu ouvi.

P.S.: Hoje amei-te. Amanhã? Amar-te-ei.

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