1.8.11

words and shadows

Reacções: 
Olho-me ao espelho, fora da minha lucidez, e vejo o meu pescoço dependente de uma corda bamba, presa no tecto. Estou afastada da minha liberdade e tenho as mãos presas por algemas. Sinto-me a sufocar e num desespero tão fundo. Os meus cabelos estão oleosos e esgadelhados e o meu corpo pesa, assim como a minha consciência. Todo o brilho de uma beleza natural e contrariamente irreverente desvaneceu-se, subitamente, num mundo que se fez deserto. Sou a sede de encontrar uma saída para a solidão, que leva à loucura. Sou o grito que apela por socorro. Sou o tédio deste deserto sinistro em que as palavras são tudo menos lineares; em que as chamas insensatas da fogueira me consomem os órgãos e os pensamentos errantes. O amor pelas árvores é ingrato e radiante. Só elas me estendem os braços e me protegem dos raios intensos, através da sombra. Sento-me na areia de pernas cruzadas e com os braços debruçados sobre o clássico romance que ainda me alimenta de alguma emoção. Os meus membros estão negros e sujos e a minha face aparenta alguém anémico. O que ainda resta dela resigna-se ao silêncio e habitua-se a este deserto de convívios e intelectualidade. Nada à minha volta tem vida... Não há cor. Somente lago que aqui existe possui uma panóplia de cores garridas e inspiradoras. Não há brisa. O sol é escaldante e insuportável. Não há ruído. Não há o burburinho de fundo das conversas entre colegas e amigos, nem da música dos rádios de rua. Quero adiar a natureza e procurar o ser humano. Volta, servidão humana. Volta, rotina quotidiana.

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