15.11.11

words are words, just words

Reacções: 
Não sei quantas vezes já dei por mim a rabiscar o teu nome nos meus blocos de notas, ou a escrever uma carta, intencionalmente dirigida a ti. Já lhes perdi a conta. Mas ele diz-me para apagar as palavras do papel, como quem apaga memórias de uma vida, com uma borracha do tempo, do próprio coração. E as palavras dizem-me tanto. E escrever é um vício tão grande. E eu quero continuar as histórias, para que os sonhos cresçam e cresçam, até que um dia tu venhas ao meu encontro e os tornes reais, dando-me a mão de uma vez. E eu quero relembrar aquele último abraço, de um suposto dia de azar, todas as noites, antes de dormir. E eu quero encontrar-me e perder-me e reencontrar-me nas entrelinhas dos teus longos textos, sonhando que um dia me segredarás ao ouvido a palavra temida - a palavra consagrada - aquela que nunca conseguiste proferir-me, mesmo com intenções de tal. E eu quero que sejas o meu eterno segredo. O segredo que guardo num baú fechado a sete chaves, enterrado nos confins da minha singela Alma. Mas é tempo de acabar com as palavras, de as rasurar, de as limpar para sempre. É tempo de findar este sonho que não nos deixa da mão e este vício de ambos, que começa quando pegamos numa caneta e nos deixamos conduzir por ela até as palavras se esgotarem. Mentalizo-me de que é tempo. É tempo. É tempo... e eu quero apenas que tudo seja apenas levado pelo vento... sem que tenha de parar de fazer aquilo que mais prazer me dá, sentindo assim que deixo de me encontrar contigo na sintonia e nos enigmas das palavras. Sem ter que queimar a imagem que a minha mente conserva dos teus olhos jorrando lágrimas sem fim, sem ter que tornar o teu rosto desfigurado. Sem ter que queimar o meu grande sonho nas infinitas chamas que começam naquele nosso, outrora, cantinho belo e natural. Sem ter que queimar as promessas, as reflexões e as confissões - no fundo, sem ter que queimar as palavras. Sem ter que destruir as palavras. Sempre as palavras. 
E as palavras dizem-te tanto. 
E sei que só tu me entendes, tu que tanto escreves, dando-lhes vida e todo o amor próprio que possuis. Não vou desistir delas. De coração. Ainda que seja tempo. A ele, devo um pedido de desculpa. A ti, respeito. E palavras.

2 comentários:

  1. Sempre gostei das coisas que procuras, sempre gostei daquilo que encontras!

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